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Ambientalistas criticam exploração de madeira no sul baiano

A expansão da monocultura de eucalipto no sul da Bahia, impulsionada por empresas como a Veracel, não pode mais ser tratada como um modelo sustentável incontestável. Ao contrário do discurso corporativo, os impactos ambientais são profundos e, em muitos casos, irreversíveis.

O principal problema está na lógica da monocultura. Ao substituir áreas diversas da Mata Atlântica por extensos plantios homogêneos, cria-se um ambiente pobre em vida. Estudos e denúncias de organizações ambientais apontam que esse tipo de cultivo compromete a biodiversidade, reduzindo drasticamente a presença de fauna e flora nativas . O resultado é um cenário apelidado por críticos de “deserto verde”: vastas áreas aparentemente produtivas, mas ecologicamente empobrecidas.

Outro ponto crítico é o impacto no solo e nos recursos hídricos. Ainda que empresas defendam eficiência no uso da água, a escala da produção levanta dúvidas legítimas. Grandes extensões de eucalipto podem alterar o equilíbrio hídrico local e empobrecer o solo, exigindo intervenções constantes para manter a produtividade.

A Veracel afirma adotar práticas sustentáveis, como corredores ecológicos e preservação de áreas nativas. No entanto, essas medidas não anulam o impacto estrutural da monocultura em larga escala. Preservar metade da área, como divulgado pela empresa, não compensa necessariamente a fragmentação dos ecossistemas.

Críticos dessa posição argumentam que o eucalipto é essencial para a economia, gera empregos e pode ser manejado de forma responsável. De fato, a cadeia da celulose movimenta bilhões e sustenta milhares de famílias. Mas desenvolvimento econômico não pode servir como licença para degradação ambiental.

A resposta é clara: crescimento econômico precisa respeitar limites ecológicos. Quando a produção ameaça a biodiversidade e os recursos naturais, ela deixa de ser progresso e passa a ser exploração predatória.

Defender uma revisão do modelo de plantio não é ser contra o desenvolvimento, mas a favor de um futuro viável. Ignorar os danos hoje é condenar o amanhã.

 

POR REDAÇÃO

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